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Houve uma vez, em que não me recordo se foi no futuro ou se foi no passado. Mas, sei que houve uma vez, que uma linda garota que entre a inocência da infância e a sensualidade da adolescência se encontrava, era sempre vista furtando do dinheiro de seus avôs e sempre embolsando tudo, ela que era mesquinha, também era má e só pensava no dia em que teria o mundo em sua sola.
Uma vez lhe contaram inocentemente que do outro lado do arco-íris haviam duendes que tomavam conta de recheados potes de ouro. Angélica com os olhos brilhantes e vivos encostou a testa na vidraça e olhou para além do arco-íris. Mas logo um sorriso sarcástico brotou na lateral do seu rosto.
Um dia ela insistiu tanto, mas tanto, que foi para muito além do arco-íris. Lá onde lhe fantasiaram como um lindo lugar, Angélica viu duendes estereotipo, mas com a face coberta de tristeza, eles ficavam sentados estáticos sobre os pote de ouro, hora ou outra bocejavam.
Angélica correu feliz e sorridente para a direção de um dos duendes, e disse com seca e fria arrogância: - Cheguei aqui, quero o meu pote de ouro, pra poder, enfim, começar o meu império, sobre um colchão forrado com pele de urso polar! 
O duende sem cólera disse: Fique, fique! De que me adianta tanto dinheiro, se de nada tenho amor?!
Angélica ridicularizou o duende afirmando não precisar de amor para ser feliz. Mas, numa quarta-feira, onde já era finalmente mulher, Angélica descia as escadas de tapete vermelho da sua mansão, acariciando o corrimão com suas mão cobertas de jóias raras e o pescoço rebuscado por vários colares. Ao ver o brilho de um diamante em sua mão, pensou: "pra que me serve tudo isso, se não há uma só pessoa que eu ame dentro dessa casa?!"
A mulher fina e elegante se sentou estática num dos degraus, e com o rosto coberto de tristeza, hora ou outra bocejava.
H.D. Nov.2006
criado por Zero
23:13:25